SE O DOLAR CONTINUAR CAINDO

Depois de ter submergido ao nível inferior a R$ 2,00 – que era uma espécie de marca mágica – eis que o Dólar, agora, se aproxima de um mergulho que poderá levá-lo a uma cotação menor do que R$ 1,90, até então inimaginável.

É verdade, como diz o presidente Lula, que o Real não está se valorizando diante do Euro, e que a queda do Dólar é um fenômeno que está ocorrendo em diversos outros países e decorre, em grande parte, do déficit das contas públicas americanas. Isso não quer dizer, contudo, que o Real não tenha a sua vulnerabilidade específica que os especuladores já descobriram e vão tentar explorar até ao máximo para ganhar, como estão ganhando desde março pelo menos, fortunas fabulosas diariamente.

O problema é o nosso Banco Central diagnosticar qual é a maior vulnerabilidade do Real – coisa que acredito que ele já tenha feito – e montar um esquema para enfrentá-la – o que é provável, também, que já exista. Se forem exatas as minhas suposições anteriores o problema se reduz ( ? ) a decidir como por em prática um programa de proteção ao Real ( que pode dar errado, ou gerar conseqüências inesperadas ) e, isso posto, quando fazê-lo.

Creio que uma anomalia que deve ser atacada o mais rapidamente possível é a possibilidade de recompra dos nossos títulos públicos no overnight – resíduo dos nossos tempos de indexação desenfreada – o que lhes dá uma liquidez diária que outorga ao especulador um tempo hábil para descer do bonde assim que ele ameaçar descarrilar.

Eis, portanto, o meu ousado palpite: antes de agosto, porque esse é um mês aziago, poderá haver um forte movimento do Banco Central para tentar defender o Real dos especuladores, o que acabará fortalecendo o dólar, moeda na qual estão ainda concentradas as nossas reservas internacionais, que, a cada dia, portanto, valem menos, em detrimento, conseqüentemente, do próprio Real e da riqueza do Brasil.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.