PRESIDÊNCIAS DE GUERRA

Uma das conseqüências jurídicas da malfadada guerra do Iraque será, por certo, a reforma da prática constitucional americana, em que o Parlamento acabou demonstrando muito fraqueza (o que ocorreu, pelo menos, até a difícil vitória dos democratas na última eleição legislativa).

Agora – quando uma soma de fatores precipita a retirada dos EUA do Iraque – o Congresso americano ( com o apoio de políticos republicanos, receosos de perder posição) está reagindo aos desafios da Casa Branca às suas determinações, ameaçando, mesmo, submeter seus atos à decisão da Suprema Corte.

Os americanos não podem correr o risco futuro de um pequeno grupo – capaz de tomar o poder através de manobras eleitorais – venha impor, de novo, uma política de tipo quase fascista, que leve a uma guerra com base numa mentira ( a existência, inexistente, de armas de destruição em massa ).

É verdade que esse grupo, composto, no caso concreto, de Bush, Cheney, Bolton, Rumsfeld, Rover, Wolfowitz, e poucos outros, tem responsabilidades individuais que deverão ser, mais tarde, apuradas pelos tribunais.

É preciso evitar porém, que outros aventureiros, como eles, venham se agrupar novamente, no futuro, em torno de um projeto de poder, reeditando a lamentável situação que hoje presenciamos, de desmoralização do poder americano diante do mundo.

Caso os republicanos houvessem vencido as últimas eleições legislativas, aliás, as coisas poderiam continuar como estavam – ou piorar, com uma extensão da guerra a outros países, especialmente contra o Irã.

Vai ser necessária, portanto, uma reforma constitucional nos EUA para evitar que se reinstale, na Casa Branca, uma presidência de guerra, que tantos danos pode causar a um país, como a de Bush está causando.


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