RAZÕES ILEGÍTIMAS

As razões para George Bush não sair do Iraque ou, pelo menos, afastar-se do front da guerra , como quer o Congresso americano, não são legítimas.

Elas resultam, por um lado,de uma tática que outros governantes, especialmente ditadores, já usaram, que consiste em não fazer concessão alguma que possa demonstrar fraqueza – o que é, por sinal, a antítese do comportamento democrático que se espera de qualquer político.

O argumento ontem utilizado pelo presidente, de que “os críticos da guerra deveriam deixar o general (David) Petraeus dizer se nossa estratégia está dando certo” é, por sua vez, falso, porque trata a opinião dos militares como se fosse um “absoluto” e não estivesse sujeita a todos os “relativismos” decorrentes do cargo político que eles ocupam.

Por outro lado, a referência maledicente de Bush aos políticos “de Washington” que querem acabar com a guerra, além de pessoalmente desrespeitosa não invalida a falsidade da sua alegação pois é na capital dos EUA que se encontra o Congresso, instituição que caracteriza a vigência da democracia, que não deve ser desmoralizada.

O que parece estar em estudo, agora, na Casa Branca, segundo o jornalista Julian Borger, do The Guardian, em artigo traduzido no Estadão, é uma retirada para bases na região do Catar, no Bahrein e na Turquia o que encerraria, formalmente, a ocupação, mas conservaria a capacidade de intervir em certas circunstâncias.

Segundo o citado jornalista as “últimas boas opções dos EUA no Iraque evaporaram há muito tempo” – ou seja a hora de pular do bonde já teria passado – caracterizando-se um verdadeiro impasse, em que todas as soluções são ruins.

Acontece que o presidente George Bush, ao contrário do que às vezes se pensa, é muito esperto, e sempre soube, exatamente o que fez e tem um medo pessoal danado de ter que pagar pelos seus erros e crimes.

O problema, portanto, é pessoal: de modo que o único remédio pode ser o Congresso tentar o seu impeachment.


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