AS PISTAS PARA O TROLOLÓ

De forma, talvez, um pouco genérica e enigmática demais, o governador de São Paulo, José Serra, afirmou, para um auditório que o aplaudia, que a política externa brasileira, em matéria monetária tem sido trouxa, que há um desvario no câmbio e que os economistas, quando tratam do assunto, dizem muito trololó

No sentido empregado, segundo o Houaiss, trololó pode querer dizer: música ligeira, fácil de entoar; conversa vazia, inútil, vã; lero-lero; coisa que aborrece; amolação e inana. Como Serra é economista ele pode fazer esse tipo de censura, mesmo que os não especialistas não a subscrevam na íntegra. De qualquer forma , tendo em vista a alta qualificação do autor das críticas, é importante pesquisar as razões do trololó, da frouxidão e do desvario.

Como no caso dos filmes de detetive, em que sempre se busca a quem interessa o crime, poderíamos começar perguntando a quem interessa a valorização do Real e não podemos deixar de reconhecer, como diz a ABICALÇADOS – que representa uma dos setores mais prejudicados com a baixa do dólar – que, efetivamente, o Brasil sofre um ataque especulativo.

Se nos concentramos nesse ponto talvez possamos encontrar alguns caminhos para conter essa especulação fazendo uma outra pergunta: o que o Real tem de diferente das outras moedas que também estão se valorizando diante do dólar ?

Creio que as diferenças entre o Real e essas outras moedas está na falta de conclusão da nossa Reforma Monetária de 1994, que não conteve – e não contém até agora – uma norma de conversão das antigas obrigações pecuniárias expressas em cruzeiro real nas novas, expressas em real, e deixou alguns setores muito importantes da economia ( como o sistema financeiro, por exemplo ) fora da desindexação.

A indexação da brasileira não foi um fenomenozinho banal, mas terá sido a maior de todos os tempos e de todos os países, tão generalizada e duradoura que chegou a criar uma “segunda moeda de fato”, o Indexador ( a ponto de o ministro Malan brincar, dizendo que o brasileiro era um espécime de “homo indexatus”.

Eis aí, a meu ver, o fio que tem que ser puxado para começar a desfazer o novelo do desvario e do trololó – e, é claro, dos juros altos.

E isso deve ser feito rapidamente, antes que Serra se eleja o próximo presidente da República.


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