NO MESMO BARCO

Uma das características do jornalismo atual que se pratica no País é ele tentar ser, ao mesmo tempo, político e de entretenimento.

Daí porque comentaristas do Caderno 2 dos jornais brasileiros fazerem da sua crítica política um verdadeiro espetáculo, técnica similar a que levou, em 2003, a imprensa americana a defender a invasão do Iraque, em troca de poder observar as piruetas dos ataques militares de dentro dos carros de combate.

A tragédia provocada pela queda do avião da TAM está mostrando as nossas fraquezas brasileiras de sempre: de uma parcela do poder público, que fiscaliza mal; de certas empresas aéreas privadas, que abusam das tripulações, dos equipamentos e dos aeroportos, em troca de maiores ganhos e, “the last but not the least”, da imprensa, que tem, às vezes, manipulado informações em busca de sensacionalismo ou na defesa de interesses da oposição ao governo.

O atual lance do Planalto, ao substituir o Ministro da Defes e intervir na ANAC – mudando, ao mesmo tempo ( provavelmente amanhã ) o comando da INFRAERO – lhe dará um certo fôlego por alguns dias.

A grita dos comentaristas, porém, não vai acabar tão cedo, mesmo porque é cômodo criticar de fora o processo político, sem assumir, pessoalmente, os compromissos que uma ação partidária exigiria.

A imprensa desempenha um papel fundamental na Democracia na medida em que não se envolve diretamente nos fatos que testemunha. Para isso, todavia, os jornalistas devem procurar ser isentos.


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