SANTIFICANDO A CLASSE MÉDIA

A coluna de hoje de Tereza Cruvinel gira, quase toda, em torno da análise do comportamento atual da classe média brasileira com relação ao governo Lula.

É que tem se manifestado, ultimamente, no Brasil, uma excitação acima do comum de pessoas “das classes média e alta” , que chega, às vezes, às raias de um latente golpismo.

Mas, como lembra o prefeito Fernando Pimentel , é “difícil governar e tocar o país em conflito permanente com esta camada social”.

É claro que um país como o nosso não pode se dar ao luxo de descartar a participação de ninguém no árduo projeto de harmonização do Estado brasileiro, o que depende, em grande parte, do trabalho da classe média, onde se encontram, praticamente, todos os economistas e os chamados “operadores do Direito”.

Vale a pena recordar, a esse respeito, a boa qualidade técnica dos juristas da antiga UDN que deram grande impulso aos estudos de Direito Público no país.

Não podemos deixar de lembrar-nos, contudo, como essa mesma classe média, e como esses mesmos juristas, foram capazes de deixar de lado os princípios liberais que pregaram durante anos, e passaram a escrever sobre os perigos de uma “Guerra Revolucionária”, que viria no bojo de grave ameaça comunista, e acabaram sustentando um golpe de Estado que frustrou muita gente, e atrasou o Brasil.

É verdade que os tempos são outros, que não há inquietação militar, nem interferência ostensiva dos americanos na nossa maneira de viver, como havia quando Jango Goulart foi deposto.

Mas é arriscado santificar a nossa classe média.

Não sei se ela é diferente da de outros países.

Mas, pelo que conheço do assunto , posso afirmar que ela não é nada santa.


1 comentário até agora

  1. Vanessa Reis julho 30, 2007 9:12 pm

    Desculpe Letácio,
    Pode nao ser santa, mas é ela quem mais sofre com o IRPF, pois geralmente somos nós funcionários públicos que vemos nosso dinheiro ser retido sem a chance de nenhum “planejamento fiscal”.

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