O HORROR DA GUERRA

As televisões dos EUA continuam a atuar animadamente, como se os americanos não estivessem em guerra.

Diferentemente do que ocorreu no final do conflito do Vietnam – época em que o exército não era ainda profissionalizado – quando a fotografia de um fuzileiro naval, ateando fogo com um isqueiro Zipper, ao telhado de palha de uma pequena palhoça, criou uma comoção nacional, a morte dos soldados americanos e os protestos de algumas mães desesperadas parecem não encontrar eco na opinião pública interna.

A tática de Bush e de Cheney, de não marcar data para a retirada e, com isso, jogar o problema no colo na futura Administração ( provavelmente ) democrata está, aparentemente, dando certo. Quanto mais tarde acabar a guerra para eles é melhor, porque não há boa solução à vista, e eles retardam um processo judicial a que podem, pelo menos em tese, vir a responder por terem mentido ao povo para obter apoio para a invasão ilegal do Iraque. Para isso eles precisam manter a população entretida com o seu dia a dia imediato, como se a guerra não significasse nada.

Não obstante essa espécie de anestesia coletiva, estimulada pelo governo, e o cinismo que a opulência costuma provocar nas pessoas, o atentado suicida de ontem no Iraque, que matou pelo menos 500 pessoas – civis, crianças, todos inocentes – não pode deixar de provocar uma grande comoção.

Isso porque a responsabilidade jurídica pela carnificina praticada não é, apenas, dos insurgentes, mas tambem do governo americano que insiste em não sair de um pais que foi invadido sem motivo, onde os soldados americanos nunca deveriam ter entrado.

Não é verdade – como alardeiam os estrategistas militares – que a retirada das tropas estrangeiras vá aumentar a insegurança da população local.

Esse, aliás, parece ser o trágico recado que a Al-Qaeda –supostamente a organizadora dos atentados – está pretendendo passar para a opinião pública americana e mundial.

De qualquer modo, ficar no Iraque mais tempo é fazer apenas o jogo politiqueiro da Casa Branca.

Esperemos que os politicos democratas consigam mostrar isso claramente para a opinião pública americana.


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