COMO QUEIMAR DINHEIRO

Um financiamento adicional de cerca de 50 bilhões de dólares para a guerra do Iraque, que está muito perto de se tornar um “negócio fechado” entre o Congresso e o Executivo americanos – segundo relato feito ao jornalista Thomas E. Ricks, do The Washington Post – serve para mostrar, mais uma vez, como as guerras são uma forma de queimar dinheiro.

O fato de alguém – de as empresas que fabricam armamentos, por exemplo – estar, eventualmente, ganhando fábulas com os conflitos, não compensa o que é jogado pelo ralo. No cômputo geral, sem levar em consideração os aspectos jurídicos e humanitários gravemente negativos, as guerras são, portanto, inegavelmente, um desperdício.

Não quer dizer isso que seja o dinheiro que causa as guerras, como se diz vulgarmente. As guerras não têm causas econômicas diretas : a Economia é que se distorce, para adaptar-se às conveniências das guerras.

No caso do Iraque parece não haver qualquer dúvida de que a sua ocupação – de uma nação soberana – foi feita com base em informações falsas, não tendo sido, portanto, a “ continuação da política por outras formas” (como gostava de dizer Clausewitz ).

Não havendo uma “política” por trás do conflito este – a sua violência – adquire uma dinâmica própria. Como não existe um poder supra nacional que aplique sanções ao agressor, entra-se num círculo vicioso que só serve para deixar rastros de destruição e de barbárie, e que vão exigir, provavelmente, em breve, uma despesa de cerca de 50 bilhões de dólares a mais.

Segundo o artigo, traduzido pelo Estado de São Paulo de hoje, as guerras do Iraque e do Afeganistão já consumiram, até agora US$ 408 bilhões ( o que equivale a mais do que o dobro do PIB da Venezuela ) mais um complemento de US$ 197 bilhões ( o que equivale a 4 vezes o PIB de Cuba ), e representam 10% do orçamento anual total dos EUA.

Há portanto, como se vê, maneiras muito estúpidas de se empregar o dinheiro…


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