DESDEMONIZAR

Excelente o dossiê “No reduto dos aitolás” publicado hoje no jornal O Estado de São Paulo, do qual a enviada especial Adriana Carranca é a principal responsável, e que há de servir para contrabalançar a noção demonizada que o Ocidente – e a imprensa, inclusive a nossa – tentam insistentemente passar sobre o povo iraniano.

Na reportagem de capa, intitulada A “democracia” dos aiatolás, diz a jornalista, dentre outras coisas, o seguinte: “ ‘ Os iranianos desconfiam do Ocidente, principalmente dos EUA. Muitos acreditam que eles querem impedir o Irã de se desenvolver’, afirma o cientista político Sadegh Zibalakam, da Universidade de Teerã.

“ Uma ofensiva americana” – prossegue a repórter – “ contra o Irã acabaria com o processo de modernização do país, que avança pelas mãos da geração pós-revolução, e uniria o povo em torno do regime teocrático. Foi o que ocorreu durante a sangrenta guerra entre o Irã e o Iraque ( 1980-1988 ). Ao contrário do que se imagina, o iraniano comum não tem nada contra o Ocidente – apenas não confia, principalmente depois das invasões dos EUA ao países vizinho Afeganistão e Iraque. Eles lembram como o processo democrático no país foi barrado em 1952 com a ajuda de americanos e britânicos que apoiaram o golpe contra o então primeiro ministro secular, Mohammad Mosadeg, um herói nacionalista.

O Ocidente, como se vê, cometeu várias barbaridades no século XX. A chave da transformação da História depende do retraimento da postura belicosa dos ocidentais, e da mudança de tônica da política externa americana, como parece prometer o Senador Obama Barak, que luta pela indicação do partido democrata à candidatura à presidência da República.

Quem sabe se, enfim, Ocidente se enquadra, e perde a mania de demonizar os outros.


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