“MOEDA EXCLUSIVA”

O Relatório do 2º trimestre do Banco Central de Compensações Internacionais ( BIS ) revela que o Real foi a moeda preferida dos investidores globais no período, tendo a aplicação nela crescido 34% entre abril e junho enquanto as operações gerais no mundo aumentaram apenas 3%.

O que aconteceu – diz a notícia do Estadão de hoje sobre o tema, em que estou me baseando – foi a tomada de empréstimos onde os juros são baixos, como Japão e a Suiça, para investimentos no Brasil, onde os juros são altos.

A questão, porém, a meu ver, a despeito do que se diz, não são os juros, mas a moeda, pois o sistema financeiro brasileiro, escapou, há uma década, da Desindexação da Economia, como lembra o ex-ministro Bresser Pereira no debate coordenado pelo jornalista Celso Ming, realizado há cerca de um mês, in verbis:

” É preciso acabar com o sistema Selic, (desconectando) as taxas de juros de longo e curto prazos. Dessa forma teremos uma taxa de juros de mercado. O Brasil é o único país do mundo cuja taxa de juros é tabelada. Nos demais países o Banco Central define a taxa de juros de curto prazo. A taxa de juros de longo prazo é definida pelo mercado e incide sobre os títulos do governo. Aqui não.”

Explicando, melhor, seu ponto de vista, continua o ex-ministro:

“Quando o Banco Central define a taxa de juros de curto prazo, ele estabelece também a taxa de juros que o governo tem que pagar para os seus títulos. Isso é um escândalo. Foi algo que foi feito em 1986, num período de inflação elevada, para segurar o mercado financeiro que estava arrebentando. Porque não se modificou depois ? Porque o Brasil continua sendo o único país do mundo que tem esse sistema ? Quando isso for eliminado, o Banco Central vai definir a taxa de juros de curto prazo. E a taxa de juros que o governo paga será o mercado que vai baixar. No mundo, as taxas de juros de curto prazo definidas pelos bancos centrais oscilam entre zero e 1,5%”

Para os que diziam – e ainda dizem – que não é o Real que está subindo diante do Dólar mas que, ao contrário, é o Dólar que desce, diante do Real, o Relatório do BIS constitui um desmentido.

A valorização sempre foi do Real, e é artificial, porque produto da especulação promovida pelos investidores internacionais.

O governo Lula ainda tem tempo para enfrentar e resolver esse problema que vai continuar a causar prejuízos à Economia brasileira. A nossa vulnerabilidade, enfim, não reside apenas nos juros – uma norma de nível hierárquico inferior na estrutura da ordem monetária: ela reside na norma fundamental dessa ordem, a nossa moeda nacional que deve valer igualmente para todos, não se justificando que o sistema financeiro continue gozando de uma “unidade monetária” exclusiva.


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