ECONOMIA DE MERCADO versus CAPITALISMO

A Noruega foi, há poucos meses, o 69º Estado nacional a reconhecer a China comunista como uma “economia de mercado plena”.

Embora esse tipo de reconhecimento seja, tipicamente, de Direito Internacional, ele evidencia o seguinte: a ) que o emprego intensivo do dinheiro na organização de uma sociedade não a torna capitalista ( a China está usando largamente o seu dinheiro mas não deixou de ser socialista; b ) que, se isso não for verdade – se a China, ao contrário, tiver se tornado capitalista – o capitalismo não quer dizer democracia, porque ela permanece autocrática.

Para entender essa aparente charada é preciso admitir a existência de três “atitudes” políticas legítimas : a conservadora, a liberal e a socialista – qualquer uma delas capaz de dar origem a regimes democráticos ou autoritários.

Se aplicarmos o esquema acima para analisar, por exemplo, alguns países do” BRIC” ( sigla inventada pelo analista de mercado Jim O’ Neil, do banco Goldman Sachs, para definir as características comuns de três países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China ) constataremos o seguinte: o Brasil e a Índia são, inegavelmente, democráticos ( e nisso eles levam uma vantagem sobre a China ); mas, por outro lado nós, brasileiros, ainda somos liberais/conservadores, o que não impede que, a médio prazo, possamos nos tornar socialistas, permanecendo, todavia, democráticos.

A propaganda , contudo, contra a evidência dos fatos, insiste em opor socialismo a democracia, tentando identificar, ao mesmo tempo, democracia com capitalismo, e este com “economia de mercado” que é uma outra coisa, como o caso atual da China está mostrando. Embora o capitalismo “ internacional” defenda, às vezes, com unhas e dentes, o autoritarismo, como ocorre no Paquistão, cujo ditador, Pervez Musharraf, acabou de deportar, para a Arábia Saudita, o ex primeiro ministro Nawaz Sahrif, que voltava ao país depois de sete anos de exílio, para candidatar-se à presidência da República nas próximas eleições.

Outra constatação importante é de que são as guerras que estimulam a criação de regimes autoritários, como ocorreu, particularmente, na Coréia do Norte. Recentemente, a propósito de uma declaração pública muito criticada, do presidente Bush, sobre a guerra do Vietnam, foi citado um outro exemplo de regime autoritário que surgiu daquele conflito, o dos Khmer Rouge, que governaram, tragicamente, o Camboja entre 1975 e 1979.

A força da máquina de propaganda “ocidental” liderada pelo establishment norte americano – um “Ocidente” que hoje não passa de um invólucro, misturando tradições disparatadas, e englobando povos de culturas absolutamente diversas – cria, freqüentemente, confusões mentais, com as quais nos defrontamos, diariamente, na mídia brasileira.

Como ocorreu no caso dos dois artigos a que me referi em textos anteriores.


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