CRISE DE GOVERNANÇA

O historiador inglês Timothy Garton Ash, analisando os erros praticados pelos EUA depois da invasão do Iraque, conclui que os americanos estão precisando fazer o que o primeiro ministro Gordon Brown acabou de pôr em prática na Grã-Bretanha ou seja, instituir um claro programa de governança.

Comentando a incompetência da Casa Branca na condução dos interesses do país nos últimos anos, especialmente com referência à guerra, observa Garton Ash: “ Bela maneira de conduzir um governo ! Com um presidente que lava as mãos, uma conselheira de Segurança Nacional fraca, um barão todo-poderoso no Pentágono e um vice-presidente conspiratório exercendo poder sem precedentes…”

A dinâmica do processo eleitoral, escreve o historiador, no artigo publicado no Estadão de domingo último, sob o título “EUA deveriam fixar metas próprias”, é uma das prováveis responsáveis pelo atual desencontro na tomada de decisões.

No primeiro ano o presidente novo consome o seu tempo obtendo a confirmação do Congresso para seus nomeados políticos e formando suas equipes. Logo no terceiro ano surgem as eleições parlamentares. Depois começa a nova corrida para a sucessão. Quanto aos congressistas, que enfrentam as urnas a cada dois anos, mal são eleitos, já têm que começar a coletar fundos para as novas campanhas.

A percepção desses fatos faz com que os americanos comuns, segundo o articulista, comecem a manifestar insatisfação com a “mecânica política” vigente em seu país que caracteriza, a seu ver, uma crise de governança.


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