LEVIANDADE

O chanceler da França, Bernard Kouchner, foi leviano ao declarar, domingo, a emissoras de rádio e televisão francesas, com referência ao programa nuclear do Irã, que é preciso “ se preparar para o pior, e o pior é a guerra” – o que obrigou, por sinal, o primeiro ministro François Fillon a vir a público no dia seguinte tentando consertar a declaração infeliz do colega afirmando que “tudo deve ser feito para se evitar um conflito”.

A leviandade das declarações do chanceler deve ter desagradado até a opinião publica dos EUA, pois as vidas que estariam em jogo no cenário por ele traçado não seriam dos franceses, mas de terceiros, inclusive dos milhares de soldados americanos que estão no Iraque na linha de fogo cruzado que se instalaria no caso de uma guerra na região.

Estreou mal, portanto, esse ministro do governo Sarkozy, com um discurso “ mais duro, inflamatório e ilógico” do que o da própria Casa Branca feito, aparentemente, com o intuito de agradar os EUA, mas capaz de desarticular os apoios internos que o novo presidente francês está tentando construir para criar condições de governabilidade do país.

Contra essa linha política subserviente do novo governo francês manifestou-se,veementemente, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica ( AIEA ), Mohamad ElBaradei, ao afirmar à imprensa que o uso de violência contra o Irã é contraproducente, ao mesmo tempo em que manifestava o receio de que não terem sido bem interpretadas as lições negativas da invasão do Iraque e da morte de milhares de civis, baseadas em “suspeitas” ( entre aspas no original ) de que havia armas de destruição em massa.


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