JUROS QUE SÃO CORREÇÃO MONETÁRIA

O jornalista Celso Ming na sua coluna de hoje do Estadão intitulada “Não há o que segure” aponta os seguintes fatores para o próximo e provável afluxo – e o conseqüente barateamento – de dólares para o Brasil: 1 – A fartura de capitais no exterior; 2 – a capacidade demonstrada da economia brasileira diante da crise recente; 3 – a alta cotação internacional das commodities brasileiras e 4 – o maior crescimento do PIB.

Segundo o articulista o dólar está em franca desvalorização diante de outras moedas fortes, sendo “inevitável que se desvalorize também em relação ao real.”

Além desses fatores há, porém, a meu ver, um elemento especulativo na valorização do Real – a moeda nacional que mais tem crescido de valor, mundialmente, diante do dólar – que é negativo e decorre de duas razões principais: a – a incorporação da antiga correção monetária aos juros atuais, que impede a queda destes últimos ; b – a sobrevivência de procedimentos destinados a assegurar uma liquidez imediata às aplicações financeiras.

Parece ser este o momento, portanto, para arrematar o processo de desindexação da economia que estacionou antes de terminar por completo.

O Banco Central, segundo Celso Ming, não deve continuar comprando dólares do mercado pois as reservas internacionais já são suficientes e a aquisição desses dólares não paralisará, por si só, a desvalorização da moeda americana.

O Banco Central, todavia, não pode deixar que a especulação campeie às custas do Real. O atual cenário de crise internacional, portanto, deve servir de pano de fundo para um ajuste monetário que se afigura cada vez mais necessário.


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