FAÇAM O QUE EU DIGO

Na entrevista que deu, hoje, ao Estadão, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diz, com muita propriedade, que o PSDB deve “olhar o futuro, e não para trás”.

Segundo ele: “ … para o PSDB poder avançar, ele tem que ter um programa no qual acredite, tem que dizer ao País o que quer, e convencer a população de que essas coisas são boas.”

Não obstante tenha toda a razão no que diz, o próprio FHC, na aludida entrevista, passa a maior parte do tempo olhando o passado, para lembrar que quem produziu o Plano Real, e a estabilidade da economia, foi ele, de modo que ele, e o PSDB são também os pais do sucesso econômico social recentemente registrado pelo PNAD ( Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Também Suely Caldas – no artigo “Lula segue os passos de FHC” – e Mailson da Nóbrega – no texto “Quem estabilizou a economia” – fazem o mesmo: usam os seus escritos para falar do passado o que é, a meu ver, contraproducente.

Embora seja natural que o PT procure capitalizar o sucesso registrado na pesquisa do PNAD e o presidente Lula apareça como o grande vitorioso nessa conquista, ninguém deve esquecer de que foi FHC – quando ministro da Fazenda de Itamar Franco, o presidente que deu a verdadeira partida eficaz na reviravolta econômica – quem implantou o princípio da estabilidade dos preços que o então candidato à presidência, seguindo a sugestão de Antônio Palocci, comprometeu-se a obedecer e, depois de eleito, de fato, obedeceu. Com o apoio de Henrique Meirelles e tendo que lutar contra a incompreensão do seu partido Lula conseguiu manter a estabilidade dos preços e está colhendo os bons resultados da sua determinação.

Isso não quer dizer que o Brasil não deva continuar a promover inúmeras medidas destinadas a melhorar a situação econômica , social e jurídica da população. Falta, portanto, aos partidos de oposição, como disse ( mas não fez ) o ex-presidente na sua entrevista, lutar pelo aprimoramento das condições da população, tais como: reduzir a burocracia cada vez mais intensa, melhorar o Judiciário, perdoar dívidas impagáveis, diminuir o litígio entre os poderes, harmonizar as relações ( sempre complexas e difíceis ) dos três Poderes e níveis da Federação brasileira, etc.

O discurso atual, apenas moralista, cansa e não basta ( para usar suas palavras de ordem) mesmo porque ele é percebido pelos eleitores como pouco racional, e hipócrita.

Daqui a pouco começa a nova campanha eleitoral e o PSDB tem dois candidatos fortes, os governadores de São Paulo e de Minas Gerais. O momento, portanto, é de olhar para a frente, e propor novas medidas para o País, parando de olhar para trás, mudando a tônica atual, para tentar convencer uma fatia do eleitorado de que há propostas concretas para melhorar a situação atual, admitindo que ela avançou muito com FHC e com Lula.


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