UMA PREVISÃO: CUBA, ECONOMIA DE MERCADO

Lembro-me, na única vez em que desembarquei em Cuba, ainda no tempo de Fulgêncio Batista, do comentário ( talvez preconceituoso ) de um companheiro de viagem de que se tratava de um País usado como destino turístico de americanos de “segunda categoria”.

A dignidade e o orgulho nacionais cubanos progrediram muito, sem dúvida alguma, depois da revolução castrista, e da capacidade de resistência demonstrada pelo povo diante do implacável bloqueio econômico americano, que já se prolonga há tantos anos, e que, mais cedo ou mais tarde, tenderá a acabar.

Esperar, porém, que Cuba voltará a ter, depois da morte de Fidel Castro, o mesmo destino de outrora, americanizando-se de novo, não passa, a meu ver, de uma ilusão. Dificilmente o presidente Raul Castro quererá que a ilha se torne um território do capitalismo e não deverá interessar à população perder os benefícios que o regime socialista cubano, embora pobre, lhes propicia.

Isso não quer dizer, porém, que Cuba socialista não venha a se transformar numa economia de mercado, o que será, sem dúvida, bem recebido pelas empresas e pelo mercado em geral.

Uma das grandes novidades deste século XXI é o surgimento de um novo tipo de Estado – similar ao “Novo Estado Industrial” de Galbraith – mas que poderíamos chamar de “Estado Monetário”, em que o emprego do dinheiro, como instrumento de organização social, torna-se dominante, seja o País capitalista ou socialista. E é bem possível que, com o tempo, a economia de mercado empurre a nação cubana para a democracia.

É provável, em suma, que tenhamos em breve, nos próximos cinco ou dez anos, um regime socialista democrático, com uma economia de mercado, em Cuba.

Trata-se de uma previsão otimista: mas vale a pena esperar para ver.


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