DOIS “AHMADINEJADS”

O jornalista Michael Slakcman, correspondente do NYT em Teerã, adverte que estão dando muita importância ao presidente Mahmud Ahmadinejads, demonizado pelos americanos, e ora em solo novaiorquino, para participar da Assembléia Geral anual da ONU.

Segundo o jornalista, “no Irã, ao contrário dos EUA, o presidente não é nem chefe de Estado, nem comandante das Forças Armadas – posições ocupadas pelo aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo, mais alta autoridade religiosa e civil do País.”

Uma das leituras desse comentário leva-nos a concluir que o perigoso não é o Ahmadinejads iraniano e sim a sua contrapartida, o Ahmadinejads norte-americano , tão demonizável como o outro, mas com o poder de declarar guerra – mesmo que o motivo seja falso – e invadir países soberanos.

Brincadeira à parte, não deixa de ser alentador ver-se o presidente do Irã em solo americano afirmando que o programa nuclear de seu país tem fins pacíficos e que não pretende atacar Israel , ou seja, propondo conversar.

A guerra do Iraque está servindo para evidenciar que o Oriente Médio é muito complicado para ser resolvido “no grito” e que o mundo já avançou muito em termos de organização para se dar ao luxo de deixar de lado a diplomacia e o Direito Internacional.

O problema da desmoralização do uso da força pela força é os EUA perderem, com isso, o seu poderio atual de ameaçar os demais países para obter vantagens negociais.

Não creio, porém, que essa perda seja, propriamente, de se lamentar…


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