UNIDADE DE MEDIDA DA CORRUPÇÃO

O Diretor Executivo da Transparência Brasil, Cláudio Werner Abramo, declarou ao jornalista Guilherme Scarance, do Estadão de ontem ( a propósito da pesquisa da Transparência Internacional que aponta uma piora do nosso país no ranking da corrupção) o seguinte:

“É impossível medir corrupção, até mesmo porque o conceito não é bem definido. Você não pode medir algo que não consegue definir de uma maneira que seja convincente para a grande maioria das pessoas.”

A noção de corrupção, com efeito, não é objetiva. Trata-se, na verdade, de uma das maiores “subjetividades” – e hipocrisias – do mundo atual; mesmo porque quem acha que o outro é corrupto não admite que seja, também, ele próprio, corrupto( ou corruptor, o que dá no mesmo).

A corrupção, contudo, no caso do Brasil, parece-me um sinal da transformação de um país tradicional numa economia jurídica altamente monetizada.

Através da corrupção as autoridades deixam de lado grande parte das sanções violentas usuais –como a prisão, por exemplo – e admitem afrouxar as punições mediante a sua transformação numa espécie de multa pecuniária – com uma característica peculiar, a de que o produto da pena vai, em geral, para os bolsos privados do agente público.

Assiste-se, por outro lado,a um descompasso entre o discurso tradicional dos políticos e a sua “prática negocial” – digamos assim – que não está ainda bem assentada.

Isso porque o Estado brasileiro está mudando de perfil: está deixando de ser um Estado violento para ser um Estado Monetário, mais ágil e descentralizado. É verdade que os redutos tradicionais remanescentes – como a burocracia, inclusive a judiciária, e as polícias civil e militar, que aplicam por conta própria a pena de morte – custam a se adaptar, o que não tardará, porém, a ocorrer.

Enquanto isso a opinião pública média fica perdida e não sabe bem como contra o quê protestar, tendendo a ver na corrupção a causa dos males do Estado, como se se tratasse de um corpo enfermo. Mas sem medida, nem objetividade.


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