NORMALIZAÇÃO MONETÁRIA E CAMBIAL

A esta altura o Banco Central, os Ministérios da Fazenda e do Planejamento e – certamente – o presidente Lula já estão convencidos de que é preciso impedir a atual supervalorização especulativa do Real.

O problema é saber exatamente o que fazer, como fazer e quando fazer o que é indispensável que se faça.

Nada de choques, de pacotes, de sustos, de medidas de impacto: é preciso, isso sim, normalizar a política monetária e o câmbio ou seja manter o câmbio flutuante, mas retirar o privilégio atual do sistema financeiro de ter uma moeda própria, mais forte do que o Real, corrigida por indexadores endógenos e que dispõe de papéis públicos confiáveis e com liquidez imediata.

As soluções econômicas estruturais – como recolocar os setores mais prejudicados “de volta na batalha com os principais mercados concorrentes” – não vão conseguir, sozinhas, resolver a questão que é, essencialmente, monetária e cambial, não tendo muito a ver com a chamada economia real.

A opinião pública, como sempre ocorre nessas questões, está confusa, pois há um discurso ufanista por trás da valorização do Real, exibida como uma decorrência da ótima situação econômica do país.

Para perceber o que está errado no Brasil em matéria de política monetária e cambial basta olhar para o que ocorre em outros países emergentes – não só os do BRIC, mas, também, o México, por exemplo – e indagar porque neles o dólar não está tão aviltado.

O problema do Brasil é a anomalia de seus sistemas monetário e cambial, que não foi consertada pelo plano Real e suas medidas complementares. Esses sistemas precisam funcionar como em todos os outro países, ou seja: sem as vantagens da “moeda indexada própria” e sem os compromissos de recompra que tornam os títulos públicos verdadeiras “quase moedas”.

É claro que essas medidas vão ter repercussões sobre os juros e a cotação das ações, que deverão cair e, provavelmente, sobre a inflação, causando alguns tremores políticos. Daí, talvez, o receio do presidente Lula em adotá-las, o que a esta altura, porém, é imperioso.

O governo deveria dar início à essa normalização monetária cambial imediatamente, ainda neste mês de outubro, estabelecendo um prazo de dois ou três meses para elas estarem concluídas.

Vai dar trabalho, vai criar um certo nervosismo, vai mexer nos índices, mas um país da importância do Brasil não se pode mais dar ao luxo de ficar presenciando a grave conjuntura atual de uma taxa de câmbio que “fugiu ao controle”do Estado e passou para o domínio dos especuladores internacionais.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.