FALTA DE SINTONIA

A falta de sintonia entre os interesses das empresas brasileiras e o discurso de certos políticos e jornalistas de oposição causa perplexidade na opinião pública.

Uma oposição a um governo de esquerda deve ser de direita e estar, portanto, preocupada com o bom rumo dos negócios nacionais e internacionais.

Cerca de 75% dos empresários, por exemplo, são a favor do ingresso da Venezuela no Mercosul , que depende, atualmente, apenas, de aprovação do Congresso Brasileiro.

O Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, declarou, recentemente, que o país vizinho é, para nós, um parceiro mais importante do que a Inglaterra, a Itália e a França.

Certa mídia e certos políticos, contudo, tratam do tema como se fosse uma questão de simpatia por Chávez ou por Bush.

A campanha a favor do boicote da entrada da Venezuela no Mercosul é, talvez por isso, pouco precisa no emprego dos conceitos, o que se vê, claramente, do apaixonado editorial de hoje do Estadão – sob o título “O parceiro ‘importantíssimo’ – em que se afirma, com todas as letras, que, naquele país, “em breve a ditadura se institucionalizará com a aprovação de uma nova Constituição desenhada sob medida para e por Hugo Chávez”.

Ora, dizer que uma ditadura “em breve se institucionalizará” é algo absolutamente vago: ou o regime Venezuela é uma democracia, onde o Congresso é livremente eleito, ou é uma autocracia, onde não há Parlamento. Não existe essa de dizer que há uma ditadura a caminho…

Por outro lado, se aqueles que não querem a entrada da Venezuela no MERCOSUL se preocupassem, efetivamente, com o futuro da democracia, deveriam ser a favor do ingresso do país no Bloco, o que seria uma garantia para a população venezuelana contra qualquer tendência autoritária do seu governo.


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