RETÓRICA TOTALITÁRIA

O presidente George Bush declarou, ontem, aos demais líderes mundiais que se eles “estiverem interessados em evitar uma terceira guerra mundial, devem impedir que os iranianos tenham conhecimento necessário para fabricar a arma nuclear.”

Lida na ordem direta, essa frase expressa a intenção formal de Bush de acionar o arsenal nuclear caso os interesses da sua política no Oriente Médio sejam contrariados.

A comparação histórica que ele tenta fazer entre a situação atual com a que o mundo sofreu na época da Segunda Grande Guerra é infeliz e imprópria: primeiro, porque aquele foi um tempo catastrófico, do qual os seres humanos até hoje tentam distanciar-se; segundo, a ameaça de nuclearização do Irã não é similar a que representavam os nazistas naquele período.

Trata-se, de qualquer modo, de uma de declaração muito grave – que até então nunca tinha sido ouvida partindo do Chefe de um Estado tão poderoso como os EUA – que traz conseqüências nefastas para toda a Humanidade, devendo ser repelida, desde logo, com veemência.

Não é admissível que um líder irresponsável possa nos ameaçar a todos impunemente com declarações desse tipo.

Por último, ainda que os EUA estejam se enfraquecendo política, econômica e moralmente, e alguns possam ver na supremacia militar o seu maior trunfo no jogo de poder internacional, o interesse na deflagração de uma Terceira Guerra não é um objetivo nacional permanente americano, pois ao seu término a situação dos Estados Unidos seria muito pior do que a atual.


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