FALSA ISENÇÃO

Os valores sociais estruturam-se em diversos níveis e a crítica se exerce pela nossa capacidade de estabelecer uma hierarquia desses valores.

Não é correta, portanto, a atitude de certos jornalistas de apresentar as opiniões divergentes como se estivéssemos diante de um balanço contábil, lendo colunas de débito e crédito exibidas numa superfície horizontal.

Não basta colocar no mesmo plano duas versões do fato veiculadas por pessoas com opiniões diferentes. Como é inevitável que o jornalista – e a empresa para a qual ele trabalha – tenham pontos de vista subjetivos, são essas as opiniões que eles veiculam, encobertas por uma falsa objetividade, com reflexos que se irão perceber, depois, nas seções de Cartas dos Leitores onde se lêem textos sempre mais agressivos e que demonstram capacidade de julgamento cada vez mais restrita.

Como a mídia é formadora de opinião a ausência de perspectivas que exibam a estrutura dos fatos e dos valores está agravando a visão ingênua da classe média brasileira, tornando-a muito maniqueista, e impedindo-a, na prática, de perceber as transformações pelas quais está passando, rapidamente, a nossa realidade, numa direção que, provavelmente, não é a do agrado dos órgãos de informação oficiais estrangeiros.


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