CONFLITOS REAIS E ARTIFICIAIS

Assisti na TV a um debate ao vivo dos pré-candidatos democratas às eleições presidenciais americanas de 2008 em que as perguntas dos participantes demonstram as preocupações das pessoas com os problemas criados pela guerra do Iraque e com os riscos da extensao das hostilidades contra o Irã.

O clima emocionante do debate permitiu perceber os conflitos reais atualmente existentes na sociedade americana fazendo-nos refletir sobre as vulnerabilidades de um sistema que parece não ter força suficiente para vetar decisões de graves conseqüências, o que e agravado pela notoria debilidade da organização jurídica internacional, incapaz de garantir a paz.

Enquanto isso no Brasil, que não padece, nem de longe, dos problemas que hoje afligem o povo norte-americano, criam-se conflitos artificiais dando-se ênfase, por exemplo, às desavenças verbais entre as autoridades espanholas e venezuelanas, tratando-se o evento como se fosse de primordial importância para nós.

Certos políticos brasileiros querem demonizar o presidente Chávez ao mesmo tempo em que procuram associar a sua imagem à do presidente Lula. Como ninguém pode acusar este último de agir, radicalmente, no exercicio da presidência da República, a tática que está sendo empregada consiste em fazer campanha contra Chávez para, em seguida, insistir em que ele é apoiado por Lula, culpando-o pelos exageros às vezes praticados pelo colega venezuelano.

Tudo parece fazer parte de uma agenda neo conservadora que se revela, nos EUA, através da ameaça de estender a guerra ao Irã, e, na America do Sul, da tentativa de criar uma animosidade entre o Brasil e certos países vizinhos com os quais só temos razões para manter boas e pacíficas relaçoes.

Esse clima de azedume talvez perdure até que se realizem as eleições americanas de 2008 vindo a cessar, apenas, no caso de uma vitória democrata nos EUA, pela qual não nos resta senão torcer.


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