SEGREGAÇÃO, no que dá.

O jornal GLOBO de hoje publica a seguinte declaração do primeiro ministro de Israel, Ehud Olmert, favorável à criação do Estado Palestino:

“Se chegar o dia em que a solução de um duplo Estado fracasse, e nós enfrentarmos uma luta como a África do Sul por direito igual de voto, o Estado de Israel estará acabado.”

Ele não poderia ser mais claro. Os israelenses afinal – menos os da extrema direita – perceberam que, mais cedo ou mais tarde, se tornarão minoria no território em que vivem e que, para perdurarem como Estado, com as características atuais, é crucial que seja criado um Estado palestino. O tempo, em outras palavras, corre contra o israelenses, que, na próxima geração, poderão ver palestinos serem eleitos, democraticamente, para chefiá-los. Na prática isso significa que Nizar Rayan, líder do Hamas, que é bom de voto, pode acabar sendo eleito, no futuro, primeiro ministro de Israel, o que, certamente, deve soar como uma uma piada de mau gosto aos ouvidos de radicais como Netanyahu …

A comparação que Olmert faz da situação do Estado de Israel com o “apartheid”, que durou de 1948 a 1990 na África do Sul, é sintomática e revela no que dá a segregação : os negros, afinal, ali assumiram o poder, mostrando que a discriminação pode resultar, no final das contas, num mau negócio .

A reunião, agora, em Annapolis, nos EUA, dos representantes dos Estados árabes e dos israelenses para estabelecer as bases da superação de uma guerra de quase 60 anos entre os dois povos é, portanto, inegavelmente, um ponto de partida para a solução do conflito, malgrado a descrença dos sectários dos dois lados. Há várias divergências a ser superadas mas o passo decisivo já foi dado: os dois grupos , ao se reunirem, reconheceram, implicitamente, que as duas nações envolvidas, a israelense e a palestina, devem sobreviver como Estados, nos territórios que forem definidos por acordo.


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