SOBRE O TERRORISMO

Vale a pena reler o que escreve Eric Hobsbawm na entrevista concedida a Antonio Gonçalves Filho, publicada hoje no Estadão, sob o título “Para fazer a globalização funcionar”, onde ele diz:

“O terrorismo de pequenos grupos, que certamente deve ser combatido, não representa uma ameaça real no mundo moderno. Os terroristas demonstraram sua habilidade em cometer massacres indiscriminados e chocantes, mas o terrorismo não é um fator político ou militar relevante e, mesmo em países onde é proeminente, representa apenas uma pequena célula de resistência à ocupação estrangeira. É ameaçador, sem dúvida, mas porque não o entendemos, não por representar perigo.

É essencial ter em mente os limites do terrorismo, para que não fiquemos histéricos. Sobre antigas crenças e culturas ancestrais, há pouco do antigo braço extremista islâmico, que inspira uma organização como a Al-Qaeda. A “fatwa” que permite a matança indiscriminada de inocentes, incluindo aí muçulmanos, não havia sido aprovada pelo clero egípcio até o começo dos anos 1970. O barbarismo dos quais os terroristas modernos são os representantes não está baseado na antiguidade ou na tradição, mas nas sociedades dos séculos 20 e 21.”

As palavras de Hobsbawm ajudam-nos entender o quanto a doutrina neo conservadora americana de “guerra ao terror”, em que se basearam a invasão do Afeganistão e, depois, a do Iraque, é insubsistente.


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