A HISTÓRIA AO VIVO, EM TEMPO REAL

Tanto Calígula, como Nero, que tantos danos causaram ao Império Romano, foram julgados, apenas, muito anos após as suas mortes, pela História o que, certamente, não é o que vai ocorrer com o presidente Bush que, quando deixar o cargo, será processado pela Justiça norte-americana, como salienta o Embaixador Rubens Barbosa no artigo que escreveu para o Estadão de 13 de novembro passado, intitulado “Quando se fizer a História … “, em que trata das negociatas dos republicanos nos rastros da guerra do Iraque.

É muito provável, mesmo, que Bush e Cheney, e seus cúmplices na Casa Branca, vão ser levados aos tribunais americanos, assim que ocorrerem as eleições de 2008. Muitos outros fatos delituosos deverão, nessa época, vir a público, embora o conjunto que a gente já conhece seja tão desastroso que o difícil vai ser escolher dentre eles aqueles pelos quais responsabiliza-lo.

O ato ilícito mais grave praticado por Bush como presidente foi, sem dúvida, ter declarado guerra ao Iraque com base numa mentira. A guerra está custando uma fortuna enorme aos cofres dos EUA, e é um dos fatores causadores da atual recessão que ronda a economia americana. O prestígio externo do país, por outro lado, foi desmoralizado a um nível jamais alcançado anteriormente. As ações politiqueiras do grupo presidencial serviram, também, para enfraquecer o moral das forças armadas de seu país. E eles praticaram no Iraque, como acentua Rubens Barbosa no seu artigo, toda sorte de falcatruas para beneficiar os seus apaniguados.

O episódio de ontem, do Irã, é outro exemplo da imoralidade intrínseca da política de Bush. Os serviços secretos e de espionagem – temerosos diante da possibilidade de o grupo no poder ser capaz de distorcer os fatos para fins ideológicos – decidiram vir a público unidos ( são cerca de 16 agências) para declarar que, desde 2003 , o Irã paralisou as suas tentativas anteriores de fazer uma bomba atômica, sendo falsas, portanto, as acusações que lhes fazia a Casa Branca. Isso mostra que Bush usava suas alegações inverídicas para atemorizar os inimigos externos, e manter em suspense o público interno. As donas de casa americanas temiam, efetivamente, que o governo de seu país levasse o país à loucura da guerra contra o Irã. É o caso, aliás, de perguntar: quem vai indenizar a angústia dessas pessoas ?

Como a História contemporânea está sendo feita, hoje em dia, ao vivo, em tempo real, pude assistir, ontem à noite, na televisão ao grotesco espetáculo do presidente americano, fazendo a maior cara de malandro, tendo a desfaçatez de declarar, com sorrisos hipócritas, que, não obstante as conclusões dos serviços secretos, o Irã continuava sendo um perigo. Ele disse mais ou menos o seguinte, com esgares que tentavam transmitir convicção, mas que não convenciam ninguém: “ E daí ? A minha opinião sobre o Irã continua a mesma. Porque eu iria mudá-la ? “

Os democratas responderam imediatamente dizendo que a opinião de Bush podia não ter mudado: mas que os fatos, sim, mudaram, o que, na verdade, torna agora praticamente impossível levar as forças armadas americanas a embarcar em mais essas aventura catastrófica. A cara de mentiroso – pegado com a boca na botija – que Bush fez na televisão foi, para mim, que assistia ao programa, a demonstração de que ele é a versão moderna piorada de Nero e de Calígula, que tanto mal fizeram ao Império Romano da Antiguidade. Os dois só foram julgados pela História, mas Bush, ao que parece, não vai escapar dos Tribunais.


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