CRITICAR NÃO É DEPRECIAR

Saiu-se mal, a meu ver, o jornalista Stephen Sakur, da BBC World, ao entrevistar, em Oslo, os ganhadores do prêmio Nobel da Paz, Al Gore e Ragendra Pachauri ( este representante do painel da ONU sobre mudanças climáticas, o IPCC ). Ele pegou um ponto que considerou mais fraco no filme “Uma verdade inconveniente” e começou a insistir, negativamente, sobre ele, tentando depreciar a campanha que acabara de merecer o prêmio Nobel da Paz.

O jornalista interrompia, seguidamente, os entrevistados como se estivesse fazendo uma apreciação imparcial e objetiva, até que Al Gore reagiu energicamente, mostrando o aspecto ideológico do discurso do seu entrevistador, conseguindo colocá-lo, no final das contas, na defensiva.

Segundo o ex-vice presidente americano atitudes similares àquela do jornalista eram, em grande parte, responsáveis pelo ceticismo de uma parcela da opinião pública mundial quanto o caráter efetivamente emergencial da crise provocada pela ação do Homem sobre o clima e o meio ambiente, que prestavam, com isso, um desserviço a uma causa decisiva para o futuro da Humanidade.

Não basta, em meu entender, como muitos jornalistas fazem, apresentar as opiniões divergentes como se fossem colunas de débito e crédito escrituradas num mesmo plano nos livros razão de contabilidade, pois isso dificulta a capacidade de a opinião pública analisar as notícias criticamente. Os conceitos devem ser expostos evidenciando a sua estrutura hierárquica, e os jornalistas devem evitar apresentar suas opiniões como se fossem fruto de isenção e objetividade, o que muitas vezes não são.

De qualquer modo Al Gore e Ragendra Pachauri puderam demonstrar , afinal que cuidar da natureza não implica bloquear o desenvolvimento,e que a defesa do meio ambiente não significa tolher o progresso.


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