EFICÁCIA DA TORTURA

O que parecia impossível – a implantação de formas de tortura oficial nos EUA – aconteceu e, embora meio encabuladas, algumas autoridades deixam escapar, às vezes, comentários implicitamente favoráveis ao seu emprego, o dizer que, em tais ou quais hipóteses, ela teria sido eficiente.

Ora, se a tortura existe é porque, em muitos casos, ela leva, efetivamente, o torturado a fornecer informações.

Aquelas rodas enormes da Idade Média – um dos poucos horrores das minhas fantasias infantis -onde os prisioneiros eram amarrados para que suas colunas vertebrais fossem esticadas aos poucos, até quebrar, devem ter levado a Inquisição, no seu tempo, a localizar vários hereges foragidos.

O problema não é a eficácia da tortura, é a sua validade, pois ela ofende, de tal maneira, a dignidade da pessoa humana que torna o torturador pior do que o torturado, mesmo que este seja um suspeito de terrorismo e foi, por isso, juridicamente execrada, como uma afronta à Humanidade.

Quando algum país, portanto, reinstala a tortura, como o EUA sob a administração Bush, depois do onze de setembro de 2001, é sinal de que ele regrediu, em termos de níveis de civilização.


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