UM OBJETIVO POLÍTICO PARA O MERCOSUL

O presidente Lula tem razão quando afirma que “inimigos internos e externos” do bloco não querem ver o avanço do MERCOSUL, incluindo dentre os inimigos internos a tecnoburocracia dos quatro países membros ( que talvez preferissem que os seus governos firmassem acordos em separado com os EUA e a EU )e quando diz a vontade política deve prevalecer sobre as decisões técnicas.

Lembro ao presidente, contudo, que a vontade política deve manifestar-se em torno de um objetivo palpável que precisa ser estabelecido e ainda não foi. Não basta dizer que precisamos nos unir, que a nossa união é mais retórica do que efetiva, que o MERCOSUL é essencial para enfrentarmos o futuro: é preciso algo novo, mais concreto, mais visível, mais institucional, tal como ocorreu quando a Europa criou o Instituto Monetário Europeu que, hoje, é o Banco Central Europeu, que emite o EURO.

É claro que para ter uma moeda única regional – para ter o nosso “Sur” – devemos resolver muitos problemas técnicos, buscando uma difícil e nunca atingida convergência macroeconômica. Mas, como diz Lula, a vontade política deve prevalecer isto é, deve, em certos casos, anteceder as decisões técnicas.

A emissão de uma moeda única regional não é, apenas, o coroamento de um processo econômico: ela é um objetivo político de união, como nenhum outro. A Europa não editou o EURO somente para funcionar como um meio de pagamento de compras: a moeda única foi uma forma de unir, em torno de um mesmo símbolo, países que viveram, no século passado, conflitos trágicos.

Dizem os franceses que “la monnaie c’est um drapeau”. Trata-se, com efeito, de um símbolo, como a bandeira, que serve para transmitir uma linguagem pacífica e integradora como poucas.
A moeda comum regiona é um objetivo políticoe não apenas financeiro.

Sei que os corpos técnicos e burocráticos do MERCOSUL vão dizer que o momento não é esse, que a moeda única só virá com o tempo – após muito tempo – que é difícil subordinar países como o Paraguai e o Uruguai, desde logo, a um Banco Central, e todas essas críticas não deixam de ter alguma procedência. Mas elas não devem impedir que se dê o primeiro passo político para estabelecer um objetivo político concreto para a união monetária no cone sul que deve ser, como sugiro ao presidente Lula que tome a iniciativa de propor, a criação do Instituto Monetário do MERCOSUL.

Ao IEM caberia desenvolver os estudos preparatórios para a implantação do “Sur” e do Banco Central do Mercosul que, no início, poderia reunir, apenas, num primeiro momento, o Brasil e a Argentina, que já desenvolveram discussões técnicas para usarem as suas respectivas moedas – e não mais o dólar americano – nas suas transações comerciais.

O presidente Lula tem uma oportunidade histórica de transformar em atos concretos a sua crítica à falta de um objetivo político que seja responsável pela nossa maior integração: ele deve tomar a iniciativa de implantar, no âmbito do Bloco, o INSTITUTO MONETÁRIO DO MERCOSUL.

Vamos lá, presidente.


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