CRÍTICA DO CONCEITO DE VALOR DE TROCA

O formulador do conceito de valor de troca foi ADAM SMITH (1723-1790 ), que assim trata do tema, no seu Riqueza das Nações: “Apesar de ser vulgar exprimir-se o rendimento de uma pessoa pelo montante em dinheiro que anualmente lhe é pago, isso só acontece porque tal montante regula a extensão do poder de compra dessa pessoa, ou seja, o valor dos bens que anualmente lhe é possível adquirir para consumo…”

Depois de explicar longamente o seu ponto de vista, conclui: “Tais receitas não podem, por conseqüência, consistir nesse conjunto de moedas metálicas, cujo montante é tão inferior ao respectivo valor, mas no poder de compra por elas representado, ou seja, no conjunto de bens que elas permitem sucessivamente adquirir, à medida que circulam de mão em mão.”

É esse o significado de poder aquisitivo que ADAM SMITH embute no seu conceito de valor de troca, e com ele identifica, ao dizer: “Deve observar-se que a palavra valor tem dois significados diferentes: umas vezes exprime a utilidade de um determinado objeto; outras o poder de compra de outros objetos que a posse desse representa. O primeiro pode designar-se por “valor de uso”; o segundo por “valor de troca”.

A fórmula do idealista ADAM SMITH fascinou o materialista KARL MARX (1818-1883), que sobre ela construiu parte importante de sua doutrina, como se lê no começo do seu livro Contribuição à Crítica da Economia Política in verbis : “A riqueza da burguesia aparece, à primeira vista, como uma imensa acumulação de mercadorias e a mercadoria, tomada isoladamente, como a forma elementar desta riqueza. Mas qualquer mercadoria se apresenta sob o duplo aspecto de valor de uso e de valor de troca. “

Deve-se notar que Smith refere-se a dinheiro, e não a mercadoria, sem nos esquecermos, porém, que Marx considerava o dinheiro uma mercadoria. Por outro lado, embora tenha haurido a noção de valor de troca em Adam Smith, Marx atribui-a a ARISTÓTELES, fazendo-o,contudo, anacronicamente, pois a palavra e o conceito ( atual ) de valor não existiam na Antiguidade.

A grande novidade da noção de troca, tal como proposta por Adam Smith, consiste em basear-se na idéia de poder aquisitivo ( não só das peças monetárias, como, também, das obrigações monetárias e dos créditos em geral ) que era mais ampla e útil do que a noção de valor intrínseco, que só podia ser aplicada às peças monetárias de metal.

O grande economista escocês, contudo, como já aludi anteriormente, ao formular o conceito de valor de troca misturou o plano normativo ( do valor ) com o plano da realidade, em que se situam as peças monetárias, incidindo no mesmo equívoco que criticara em seus antecessores (os defensores das doutrinas do valor intrínseco ) que acreditavam que o valor “emanava” das peças monetárias de metal. Embora Adam Smith deixe claro, e compreenda perfeitamente, que o poder aquisitivo ( da moeda e dos créditos ) não é o mesmo que o valor intrínseco ( apenas das peças monetárias ), admite que a peça monetária ( e os créditos que dela emanam ) “tenham” um valor, consistente naquilo que ela pode comprar, diretamente ou com o uso do crédito.

( Teoria Monetária XVIII )


2 comentárioss até agora

  1. lydiana leite abril 1, 2011 11:24 am

    Parabens texto acima abriu meu conceito sobre TROCA.

  2. maria abril 2, 2012 10:02 am

    muito bom

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