INSURGENTES E “TERRORISTAS”

Para a diplomacia brasileira – seguindo as diretrizes da ONU – certas categorias de insurgentes, como, por exemplo, o Hezbollah e as FARC, não são grupos terroristas, classificação que o nosso país restringe ao caso da Al-Qaeda.

Não se trata de uma diferença meramente semântica, mas filosófica, pois é o reconhecimento de que em política não há valores absolutos como os que levaram os EUA, recentemente, a desencadear ofensivas fracassadas ( inclusive militares ) contra os países que, segundo o discurso de posse do presidente Bush, faziam parte do “eixo do mal”.

Esse tipo de maniqueísmo, fundamentalista, ao separar os países em “do bem” e “do mal”, não leva em consideração o fato de que os do mal, para um lado, são os do bem, para o outro, e de que essa forma de se tratarem, reciprocamente, impede qualquer diálogo entre os interessados.

É correta, portanto, a proposta – aceita pelo governo brasileiro – de que as FARC ( que, aliás, numa época, mandaram representantes às reuniões da esquerda mundial em Porto Alegre ) passem a ser consideradas forças insurgentes legítimas, com o que será muito mais fácil levar adiante as conversas de que acabem resultando a libertação, de parte a parte, dos prisioneiros políticos de ambos os lados, o que é uma medida, antes de tudo, de cunho humanitário.


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