PERIGO DE UMA INFLAÇÃO “OFICIAL”

O GLOBO de hoje refere-se, na manchete de primeira página, à subida, pela primeira vez, desde 202, da “inflação oficial”.

A Medida Provisória n. 1.053, de 30 de junho de 1995, que dispôs sobre “ medidas complementares ao Plano Real”, com o objetivo de “Desindexar a Economia” , determinou, no artigo 8º, que as autoridades públicas deixassem de calcular, oficialmente, índices de inflação, os quais passariam a ser estipulados, “mentalmente” – digamos assim – pelas partes nos negócios jurídicos.

O perigo de um índice “oficial” de inflação – que é hoje representado pelo IPCA ( Índice de Preços ao Consumidor Ampliado ) é que esse índice tende a se tornar um “indexador” logo adquirindo a força de “compulsório”.

Já vimos esse filme antes: primeiro um índicezinho meramente estatístico, depois um indexadorzinho inocente e “justo” e, por último, a transformação dessas “medidas de valor” em “moeda”, gerando uma indexação desenfreada que se converte, afinal, em hiperinflação.

Os governos FHC e Lula, muito se parecem ao igualar-se nos riscos que assumem – e assumiram – ao manter o jogo das duas “moedas”: o primeiro deixou em aberto várias brechas que o segundo não se preocupou em fechar.

Trata-se de uma brincadeira com fogo. Uma moeda apenas já é difícil administrar (como os EUA atuais, inclusive, estão mostrando); duas, então, nem pensar.

Se não for concluído o processo de desindexação da economia, se os Poderes da República não vedarem, terminantemente, a indexação – que, ao contrário, grassa solta no caso das dívidas ativas e judiciais e foi reinstalada, recentemente, nos contratos imobiliários – os anos de 2008 e 2009 serão de altíssima inflação, o que inviabilizará uma candidatura do PT ao próximo governo.


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