O VALOR REAL É O NOMINAL

Em seu artigo “ Dessa vez, os velhos remédios não funcionarão”, a que aludi em texto anterior, o analista econômico HAROLD MEYERSON afirma que os bancos tanto “inventaram”, que “perderam a referência ao valor real dos papéis”.

A menção de MEYERSON a “valor real” impõe uma ressalva.

Assim como CHARLES DOUMOULIN afirmou, numa época, que o “valor intrínseco era o valor extrínseco” é preciso que se proclame, agora, que o valor real é o valor nominal.

Todos os papéis, a começar pelo papel moeda, podem ter valor de mercado, mas o seu valor real inexiste, porque é, sempre, um valor nominal.

O curioso é que as palavras real e nominal são antônimos, como o são, porém, também, os vocábulos extrínseco e intrínseco.

No caso do intrínseco, DUMOULIN afirmou que o dinheiro nacional valia porque ( e o quanto) o soberano dizia que ele valia – de modo que o seu valor nada era senão o número extrínsecamente aposto nas peças monetárias pelo Estado.

Nos dias que correm é necessário reafirmar a vigência desse princípio nominalista segundo o qual os valores são sempre nominais, porque valor e realidade encontram-se em planos diferentes, e não podem encarnar-se um no outro.

O que não impede – como também dizia DULOULIN no seu tempo, mutatis mutandi – que o dólar não tenha que levar em conta as moedas estrangeiras, diante das quais ele precisa se comportar com menos arrogância, mesmo porque os EUA, rapidamente, voltaram a ser um país normal, igual aos outros, perdendo o status de super potência, que sugeria aos seus dirigentes que eles eram todo poderosos militar e economicamente, o que a realidade evidenciou ser um engano.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.