“FUNDAMENTALISMO DE MERCADO”

O megainvestidor GEORGE SOROS afirmou, ontem, ao jornal austríaco “Standart” que o pacote baixado pelo presidente Bush pouco contribuirá para fazer face à crise americana atual que decorre, em última análise, do que ele chama “fundamentalismo de mercado”, expressão cunhada por ele para significar a crença neo liberal ( e neo conservadora ) que o Estado é desnecessário nos âmbitos nacionais e inviável no plano internacional.

Um dos livros de SOROS, com apresentação de ARMÍNIO FRAGA, intitulado “A Crise do Capitalismo, as ameaças aos valores democráticos, as soluções para o capitalismo global” foi publicado no Brasil, em 1999, pela Editora Campus, e merece ser lido e relido.

Os papas do neo liberalismo, como HAYECK e FRIEDMAN, expõem suas doutrinas como se o dinheiro dispensasse a existência do Estado, abstraindo-se do fato ( elementar, meu caro Watson ) de que é o Estado que emite o dinheiro.

Como o dinheiro ainda é um fenômeno nacional ( exceto no caso do EURO ) essas doutrinas “neo” puderam aplicar-se, muito facilmente, no mercado financeiro internacional uma vez que não existe uma moeda internacional – precisamente porque não existe um Estado internacional.

Hoje em dia, como alerta, aliás, SOROS no seu livro, às pp. 31 “inexistem instituições financeiras em escala internacional”, muito embora exista um poderosíssimo “sistema” financeiro internacional, baseado no tal “fundamentalismo de mercado” que deixa o crédito inteiramente desregulado.

Uma solução global ( que seja, além disso, imediata ) para essa questão não é fácil; o que não deve impedir o Brasil, porém, e outros países – especialmente do MERCOSUL – de colocarem, desde já, as suas barbas de molho.

As formas clássicas – imperialistas e militaristas – de administrar o mundo faliram completamente nas mãos de George Bush e da sua guerra particular do Iraque.

O único meio de organizar o atual complexíssimo feixe de relações entre Estados nacionais e empresas e bancos multinacionais, sem pretender dar marcha ré na inevitável globalização financeira, é criar mecanismos mundiais ( Bancos Centrais ) de controle dos capitais que, a princípio, não podem deixar de ser regionais.

O Brasil, aparentemente, não vai sofrer, agora, os efeitos da crise americana pela razão simples de que temos enormes reservas cambiais. Essas reservas, porém, estão em títulos do Tesouro Americano, de modo que uma crise profunda e duradoura, como essa que se espera, vai acabar nos atingindo, ainda que indiretamente, como portadores de títulos públicos dos EUA.

Já se fala, entre nós, na criação de Fundos independentes, que nos poderão livrar, em parte, desse problema. A solução final, porém, está na criação da moeda única do MERCOSUL, que deve ser denominada “SUR” , e que colocará os nossos países sul –americanos numa posição de força financeira capaz de enfrentar todos os desdobramentos futuros da crise americana, que, segundo SOROS, é a pior, desde a Segunda Guerra.


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