A CPI DOS CARTÕES CORPORATIVOS

O governo brasileiro antecipou-se à oposição e protocolou o pedido de instalação, no Senado, de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o uso indevido dos cartões de crédito corporativos, abrangendo não só a presidência Lula como o período referente ao segundo governo Fernando Henrique Cardoso.

Trata-se, como se percebe, de uma vitória tática, uma vez que a opinião pública, instigada pela mídia, estava a beira de um ataque de nervos, achando que o Brasil ia falir por causa do emprego exagerado desse prático meio de pagamento, e pressionava pela criação de uma CPI.

Estratégica e politicamente, contudo, a vitória do governo é de Pirro, uma vez que o seu estilo prestigia a “jogada” política em detrimento daquilo a que o Parlamento deveria efetivamente se dedicar, como, por exemplo, discutir e votar a lei do Orçamento, uma das normas mais importantes dentre as que anualmente transitam no Congresso.

A leitura do livro de Barack Obama – “A audácia da esperança” – pode ser de grande utilidade para os políticos brasileiros, pois eles parecem copiar o baixo nível dos parlamentares americanos, denunciado pelo senador.

Não nos interessa imitar o que acontece, atualmente, no Parlamento americano, condenado por Obama. Cabe, isso sim, abandonar o método rasteiro de fazer política. O moralismo monocórdico que atualmente é promovido pela imprensa leva a classe média a ficar girando em torno do mesmo discurso irracional e irado que a impede de raciocinar.

O Parlamento, em nosso país, onde há tantas providências a tomar, deveria se dedicar a uma política de alto nível deixando de seguir os maus exemplos que vêm de fora, e que, na prática, deram no que deram.


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