CONTRA OS “NEOS”

Considerando as três grandes correntes da cultura política do Ocidente -o conservadorismo, o liberalismo e o socialismo – não temos dúvidas em classificar o senador John Mc Cain como conservador, embora não seja tão igualmente fácil qualificar o senador Barack Obama como liberal.

Os socialistas e os social democratas não constituem, ao que parece, uma força expressiva nos Estados Unidos, pelo que Obama, não sendo conservador, deveria ser tido como liberal. Acontece que o termo “liberal”, para os americanos, tem uma conotação diferente da que tem no Brasil, e mesmo na Europa, significando, muitas vezes, “esquerdista”, o que o senador pelo estado de Illinois não se apresenta como sendo, o que não o impedirá, contudo, de receber os votos dessa parte do eleitorado.

Ou seja, ao mesmo tempo em que Mc Cain luta para ser tido apenas como um conservador – e não, como é para muitos, um liberal-conservador – o senador Barack Obama não precisa se esforçar para ser considerado um liberal, já que é claro, de antemão, que ele não é conservador.

O fato de a cultura política dos EUA dividir-se entre liberais e conservadores não quer dizer, necessariamente, que os primeiros sejam filiados ao Partido Democrata e os últimos ao Partido Republicano, não obstante haver uma tradicional tendência ao liberalismo, do lado democrata e ao conservadorismo, do lado republicano.

As características dos partidos americanos manifestam-se, atualmente, na tentativa do senador Mc Cain querer mostrar que é conservador ( com o aval, pouco valioso a meu ver, do presidente Bush ) e no fato de a senadora Hillary Clinton ver ameaçado o voto que contava desde o início como certo dos “super-delegados” que, com o crescimento do apoio popular a Obama, terão receio de se descolar dessa popularidade.

De qualquer modo, a novidade neste momento prévio da disputa eleitoral parece ser o desprestígio dos “neos”, sejam eles liberais ou conservadores. Os neo liberais, ao defender a supremacia da auto-regulação dos mercados, e ao tentarem fingir que não gostam do Estado, ficaram em baixa diante da desaceleração do crescimento da economia americana e do insucesso da guerra do Iraque. Os neo conservadores, por outro lado, em face do estrago que causaram à imagem norte americana no mundo, e à sua comprovada incompetência administrativa e financeira interna conduzida pela dupla Bush/Cheney, deverão ser os grandes perdedores das eleições de novembro.

Bastaria esse desprestígio dos “neos” para começarmos a achar, desde já, auspiciosas, as eleições norte-americanas.


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