ARMAS NUCLEARES

O presidente Bush costuma dizer às televisões, especialmente em relação ao Irã, que “todas as opções estão sobre a mesa” , o que, a meu ver, é para ser interpretado como uma ameaça de detonação, num caso concreto, de bombas atômicas do arsenal do qual ele tem a chave.

Até que ponto, contudo, essa ameaça tem cumprido o seu papel intimidador ? Até que ponto esgrimir com o terror atômico pode produzir resultados concretos no cenário da política internacional ?

No artigo “Novos perigos das armas nucleares”, publicado hoje no Estadão, o professor Celso Lafer tenta abrir caminhos para o aprofundamento dessa discussão, que leva a uma outra igualmente importante: será possível descolar as questões da não-proliferação da bomba atômica e do desarmamento?

Ressaltando o fato de “as descobertas científicas não poderem ser varridas da consciência humana”, Lafer admite , pelo menos em tese, que, no mundo de hoje, cada Estado nacional, se quiser, pode se tornar uma potência atômica. Segundo ele, o “uso dual” dessa energia, nos planos pacífico e militar” , e a unidade científica da tecnologia nuclear, explicam porque o desarmamento e a não proliferação atômica não podem ser tratados como assuntos distintos.

Conclui ele, assim, ser “uma quimera imaginar que a não-proliferação poderá ser imposta pela força ou obtida diplomaticamente num mundo permeado por tensões difusas, por potências militarmente nucleares determinadas a manter-se indefinidamente nesta condição.”

Ou, em outras palavras, enquanto Israel não abrir mão da sua situação atual de potência atômica – e isso é muito mais verdadeiro em relação aos EUA – vai ser muito difícil impedir que o Irã tenha, a médio prazo, armas nucleares.

A solução desse problema do desarmamento como condição da não proliferação nuclear será, como se vê, um dos desafios que o futuro presidente dos EUA, seja ele democrata ou republicano, vai ter que muito em breve enfrentar.


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