O RISCO DAS “INDEPENDÊNCIAS UNILATERAIS”

Quando acompanhamos, de longe, a questão da independência do Kosovo, percebemos como as coisas mudaram desde o fim da Guerra Fria.

Foi-se o tempo em que os Estados Unidos eram os “bam-bam-bans”, temidos por todos, que falavam grosso e, com isso, punham medo em todo o mundo, podendo ganhar as disputas diplomáticas “no grito”.

George W. Bush, ao insistir – em grande parte por razões pessoais – em manter o impasse no Iraque, conseguiu colocar tudo isso de ponta cabeça.

Os russos,por exemplo, no caso do Kosovo, decidiram, também, elevar a voz, e a União Européia, dividida, não sabe o que fazer.

Estimular a independência unilateral de territórios como o do Kosovo desagrada a muitos países, e gera graves questões de Direito Internacional. O argumento étnico – “o Kosovo é quase todo composto de descendentes de albaneses” – além de não justificar, por si só, a sua separação da Sérvia, parece-me, hoje, um falso fundamento,que nos faz correr o risco de ver as populações do Pais Basco, do Siri Lanka, do Cáucaso, do Tibete e de outras partes do planeta quererem aplicar em seu favor, essa mesma “jurisprudência” kosovar, do que muitos governos não gostam.

Ou seja: o mal que Bush ainda pode fazer ao seu país, e ao resto do mundo, é muito maior do que consegue entender a nossa vã filosofia….


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