VALORES DA DÍVIDA E DO IMÓVEL

Há inúmeros casos, no Brasil, de mutuários do antigo Sistema Financeiro da Habitação cujo valor da dívida ao Banco é superior ao valor de mercado do imóvel e que tentam, há anos, na Justiça, equiparar os dois valores, sem sucesso, ao que eu saiba, até hoje.

A insensibilidade do Poder Judiciário brasileiro diante do drama dessas pessoas decorre do fato de que a mentalidade dos juízes ainda está dominada pela ideologia da correção monetária, contra todas as evidências práticas.

Ao contrário do que acontece aqui, o governo e o Congresso americanos, segundo noticia o NYT, estudam “ propostas de resgate para mutuários cujo valor das hipotecas é superior ao valor de mercado do imóvel” ( como escreve a correspondente em Washington, Nalu Fernandes, em nota publicada no Estadão de 23 de fevereiro )

Segundo a nota, “quase 8,8 milhões de mutuários, ou 10,3% do total, estão nessa condição, de ver o valor de seus imóveis declinando em comparação com as suas hipotecas.”

Mesmo no país ” menos intervencionista” do mundo, a classe política, como se vê, preocupa-se com o drama de seus eleitores mutuários, ao contrário do que aconteceu no Brasil nos últimos anos, e tende a acontecer de novo, assim que os juros flutuantes e a ampla indexação dos novos contratos de financiamento da grande quantidade de imóveis que está sendo vendida no país volte a gerar um desequilíbrio entre as prestações e a renda.


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