O PRESIDENTE E O ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Ao dizer, aqui no Rio, que “se porrada educasse, bandido saía da cadeira santo”, o presidente Lula deu um indireto puxão de orelhas no seu anfitrião, que, no início de sua Administração, imitando George Bush, se declarou um “governador de guerra”, e tem empregado, até hoje, as piores facções da polícia numa ilegal estratégia de combate às drogas.

O fala do presidente da República fez-me lembrar de um episódio vivido pelo ex-presidente da OAB RJ, Hélio Saboya, então Procurador Geral do Estado do Rio de Janeiro que, numa reunião de secretariado, em que alguns pregavam uma dura política de segurança de enfrentamento, comentou que se matar bandido desse certo a baixada fluminense há muito seria uma verdadeira Suiça, o que o credenciou para tornar-se, pouco depois, Secretário de Polícia Civil, cargo que exerceu com pleno respeito aos Direitos Humanos.

De qualquer forma, é auspicioso constatar o bom entendimento atual entre os governos do Estado e da União Federal, bem diferente do que acontecia nos tempos do governador Brizola, que agia como se houvesse um “cerco” à sua administração, tática seguida mais tarde pelo casal Garotinho, com prejuízo para todos nós.

A União Federal tem uma dívida institucional enorme com o novo Rio de Janeiro, Estado que resultou de uma fusão desastrosa com a antiga Guanabara, após essa ter sido esvaziada, sem compensação, de sua antiga condição de cidade-Estado, depois que a capital foi transferida para Brasília em 1961.

A maior parte dos nossos graves problemas atuais decorre das agressões institucionais praticadas contra nós, no tempo da ditadura, que nenhum outro território brasileiro sofreu com igual intensidade.

Nada mais correto, portanto, do que a União investir no Rio de Janeiro, para, civilizadamente, integrar na cidade a grande parte da população que atualmente vive em favelas e loteamentos clandestinos e irregulares.

É um débito que precisa ser quitado.


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