ÁGATHA E MICHELE

O que une, no infortúnio, essas duas moças – uma de 11 e a outra de 27 anos – é o fato de ambas terem sido mortas por “balas perdidas” em “confrontos” da polícia do Estado do Rio de Janeiro com traficantes.

Balas perdidas são, na verdade, quase sempre, resultado da má pontaria dos policiais. Traficantes são todos os marginais, vendam drogas ( leves e pesadas ) ou não. E confrontos é uma palavra que o governo usa para camuflar execução.

Será que o presidente Lula, e o ministro Genro, ao ficar – pelo menos aparentemente – quietos diante do que o seu aliado local está pondo em prática em matéria de Segurança Pública, não perceberam, ainda, que essa política ( ou falta de política ) é desumana ?

Ninguém pode ser tão ortodoxamente marxista a ponto de acreditar que tudo se resolverá com medidas econômicas. Nem serão os PACs que transformarão, automaticamente, as comunidades carentes em locais dignos para morar.

O problema de o governador ter autorizado seu secretário de segurança a mandar matar não é econômico: é jurídico.

Uma autoridade mandar matar, mesmo depois de julgamento prévio, é vedado constitucionalmente no Brasil.

Autorizar a polícia a matar no ato – afora o fato de estarem resultando, daí, mortes de inocentes, em casa, como as das jovens Ágata e de Michele, em menos de um mês – é um crime.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.