CONTROLE DO CÂMBIO

O presidente do IPEA, Marcio Pochmann, declarou, ontem, em entrevista aos jornais, o seguinte:

“ A minha preocupação maior é com a questão cambial. Talvez não deveríamos ter permitido que a taxa de câmbio se situasse no nível em que se encontra. Há várias medidas que podem ser adotadas e outros países adotam.”

Segundo Pochmann, entre essas medidas há a tributação da entrada de capital externo na economia e outras restrições a esse fluxo de recursos (embora essas providências, ressalva ele,não estejam sendo sugeridas mas, apenas, “consideradas” , pois o “Ministério da Fazenda e o Banco Central têm condições melhores de falar sobre isso.”)

O que está por trás dessas declarações, ao mesmo tempo incisivas e cautelosas, do presidente do IPEA é o reconhecimento de que o governo não pode deixar de ter o controle do câmbio. Ao dizer que “não deveríamos ter permitido que a taxa de câmbio se situasse no nível em que se encontra” Pochmann desdiz, frontalmente, o discurso do ex-ministro Palocci, que declarava no seu tempo, com um certo sarcasmo, que “ o problema do câmbio flutuante é que ele flutua”.

O problema do câmbio flutuante, porém, na verdade, ao contrário do que pensava o ministro Palocci, não é que ele flutue ( mesmo porque não se trata de um balão ) e sim que sobre ele o governo não tem controle, abrindo mão de sua soberania monetária. É o que diz, agora, Pochmann: ao criticar o “nível” atual do câmbio ele expressa o seu ponto de vista de que deveria ser estatuido um “outro nível” diferente do supostamente fixado pela lei da oferta e da procura.

O câmbio está, portanto, fora de controle, o que não deixa, por sua vez, que os juros caiam.

Isso não tem impedido que o Brasil esteja enfrentando bem, como reconhece Pochmann, as instabilidades financeiras internacionais, especialmente pelo fato de que tem muitas reservas; e não tem prejudicado, no conjunto, as exportações, já que o preço das “commodities” está em elevação no mercado internacional ( embora haja setores específicos que estão sendo evidentemente afetados ).

A grande questão, porém, é que o governo brasileiro não tem o controle dessa situação, que pode rapidamente mudar a qualquer momento.

Não vai ser fácil mexer agora na Economia, pois o presidente Lula, é, financeiramente, um conservador, o que decorre de sua vivência de operário e de líder sindical, e do evidente sucesso da política econômica conservadora de seu governo.

Há uma regra de estratégia, todavia, que diz que “ o segredo da vitória é o aproveitamento do êxito” . Se nunca antes nesse país – como gosta tanto de discursar o presidente – tanta coisa boa aconteceu, essa talvez seja a principal razão pela qual o governo deve retomar o controle do câmbio, e trabalhar,ao mesmo tempo, para reduzir os juros “reais” , que voltaram a ser os maiores do mundo.


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