SIM, PODEMOS !

Acho que o lema que está levantando multidões americanas a favor de Barack Obama – “Yes we can”, ou “Si, se puede” – não soa bem em português, o que não impede que se reconheça que esse formidável movimento de opinião pública é um dos fenômenos mais estimulantes que vimos naquele país desde, talvez, os protestos contra a guerra do Vietnam.

Os protestos contra a guerra do Vietnam, porém, não impediram que, no espaço de poucas gerações, muitos jornalistas – filhos, talvez, de pais hippies – quando convidados pelas forças armadas, ingressassem, pululantes de alegria, nos tanques e nos carros fortes, sentindo-se grandes patriotas por poderem assistir à matança de iraquianos.

Em outras palavras: não basta idealismo para governar-se um país como os EUA, cujo povo é capaz de feitos extraordinários, mas, também, de inequívocas demonstrações de burrice – como todos os povos, aliás, bastando lembrar dos alemães, na época da 2ª. Guerra Mundial.

O senador Obama, com o seu carisma, sua energia, sua determinação, sua fala mansa mas convincente, mostrou que é possível, sim, substituir o trêfego Bush por um presidente da República à altura das melhores tradições daquele país.

É um engano supor, porém, que tudo que deu errado nos últimos anos se deva, exclusivamente, à mediocridade e ao mau caráter de George Bush. Esse é um argumento a favor de Mc Cain.

Não devemos desprezar, portanto, a importância do Partido Democrata na sustentação política ao novo presidente.

É claro que os membros e a direção do Partido têm todos os defeitos que possamos imaginar.

Mas sem um Partido político por trás, não há Congresso que resista ao Executivo, e sem Parlamento não há Democracia.

Os democratas, enfim, não podem agir como tradicionalmente se dizia da esquerda brasileira: que “só se unia na cadeia”. Tudo que os neo conservadores querem é não ser processados nem condenados pelos seus desmandos, e foi essa possibilidade que fez George Bush dançar, canhestramente, diante das câmeras, expressando a sua satisfação antes de receber o senador Mc Cain.


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