“JEITINHO” SOBERANO

Como os brasileiros somos um povo escabreado, até o nosso Fundo Soberano precisou ser proposto meio escondido para não fazer muita onda, tal como nos informa a repórter Adriana Fernandes do Estadão:

“ Discretamente, o líder do PSB, senador Renato Casagrande ( ES ), antecipou-se ao governo e protocolou no Senado um projeto de lei que cria o Fundo Soberano do Brasil (FSB). Em gestação na equipe econômica há meses, a proposta de criação do fundo não saiu do papel por causa do cenário de crise internacional e indefinições sobre quem administrará os seus recursos: o Tesouro Nacional ou o Banco Central.”

Pelo projeto do senador Casagrande o Fundo Soberano será formado quando as reservas internacionais ultrapassarem o limite de 10% do Produto Interno Bruto ( PIB ) do ano anterior, momento em que o Banco Central seria autorizado a depositar no FSP a parcela das reservas que exceder a esse limite. Na hipótese de um PIB em torno de R$ 2,5 trilhões o fundo poderia ser criado com reservas em torno de 147 bilhões dólares, e essas reservas, ontem, já estavam em cerca de US$ 193 bilhões.

Nas palavras, respectivamente, de Armínio Fraga e de Henrique Meirelles, em reunião do Instituto de Finanças Internacionais (IFF ) no Rio, o Brasil é, hoje, o “queridinho dos mercados financeiros” e está protegido contra a crise pelo imenso nível de suas reservas e pelo crescimento do mercado interno.

Conseguimos driblar a tendência “populista” que ainda se manifesta na Venezuela, no Equador, na Bolívia e na Argentina e apoiamos, atualmente, medidas que dão garantias aos investidores, sem considerá-los nossos inimigos. O momento parece, portanto, bem propício para a criação, jeitosamente embora, do nosso Fundo Soberano.

Isso não quer dizer que não devamos continuar tomando medidas de estruturação jurídica da nossa Economia que ainda não acordou, inteiramente, para a nova situação criada pelas Lei do Real e da Desindexação.


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