AS NOVE CABEÇAS DA INFLAÇÃO

Como todos sabem, uma das doze, e mais difíceis, tarefas de Hércules, foi destruir a hidra de Lerna. O grande problema para matar essa gigantesca serpente consistia no fato de que cada vez que uma das cabeças do monstro era decepada, duas outras ressurgiam, imediatamente, em seu lugar, impedindo, com isso, o acesso à cabeça central, que era considerada imortal.

Eis que o famoso herói da mitologia grega, com o auxílio de poderosas tochas de fogo, decidiu queimar, uma a uma, as raízes das cabeças, à medida que elas iam sendo cortadas, até que, enfim, pôde arrancar do corpo da fera a cabeça imortal, enterrando-a, definitivamente, sob uma rocha.

Se trouxermos essa lição para os dias de hoje constatamos que foram cortadas, até agora, muitas cabeças periféricas da nossa perigosa hidra inflação: a cabeça central do monstro, porém, ainda não foi inteiramente extirpada.

Quando o Presidente Roosevelt, em 1932, interveio para acabar com a crise financeira de seu pais, uma das principais medidas, tomadas, em conjunto, pelo Executivo e Legislativo americanos, através da Joint Resolution, foi proibir o emprego das cláusulas monetárias. Isso também foi feito pelos aliados, na Alemanha, em 1942, e na França, em 1958, pelo Presidente De Gaulle.

No Brasil, a prática dos negócios demonstra que em todos os contratos atualmente celebrados,continuam a ser inseridas cláusulas de indexação, que voltaram a ser mensais nos negócios jurídicos imobiliários. Os juizes, por sua vez, prosseguem prevendo a correção monetária em suas condenações pecuniárias. Isso sem falar na paixão que a burocracia tributária nutre pela SELIC.

Bastará a inflação subir um pouco, portanto, para retornarem as pressões em favor da reindexação, com base na inflação passada, uma vez que permanecem stand by grande parte dos seus pressupostos.


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