AINDA A INEXISTÊNCIA DA ECONOMIA REAL

A referência à “economia real” é uma constante nos pronunciamentos dos economistas, como se pode ver, inclusive, na entrevista do professor Alkimar Moura de hoje ao Estadão, sob o título “Evitar risco para o sistema é obrigação dos BCs”, em que ele, perguntado sobre se o Brasil está descolado da crise, reponde:

“Do ponto de vista financeiro não dá para se descolar…. O Mercado é um só. Já a economia real pode, sim, permanecer descolada.”

O emprego da expressão “economia real” serve para dar a impressão ao leitor de que, por trás do que, sensivelmente, está ocorrendo,há uma realidade oculta, mas que o economista conhece perfeitamente ( o que provavelmente não ocorre )

A questão não é a realidade, “em si”, mas o conhecimento da realidade e a disciplina das condutas reais das pessoas na sociedade.

A Economia ( ao lado do Direito ) através das normas jurídicas ( especialmente da moeda ) disciplina a vida “econômica” das pessoas. A ciência econômica, por sua vez, busca conhecer a realidade econômica ( o que muitas vezes não consegue ). Ambas, porém, não são a realidade. Não se deve falar, portanto, em Economia “real” pois isso implica unir, equivocadamente, dois planos diferentes: o plano do conhecimento ( e das normas ) e o plano do ser.

Podemos deduzir, portanto, da entrevista do professor Alkimar Moura que se a “economia real” brasileira está descolada da crise americana é por que a economia brasileira – tout court – está descolada da crise americana.

O fato de as Bolsas oscilarem, por outro lado, não quer dizer que haja uma “colagem” financeira da crise: quer dizer, apenas, que as Bolsas, como é característica sua, oscilam. Na medida em que os mercados, atualmente, estão globalizados, a oscilação é maior e mais difícil de entender.

Nada mais do que isso.


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