O FALSO DILEMA DO BANCO CENTRAL

Segundo o jornal GLOBO de hoje, o Banco Central brasileiro enfrentará, nos próximos dias 15 e 16 de abril, um dos maiores dilemas dos últimos 4 anos, pois a situação externa recomendaria, em princípio, a redução dos juros e a situação interna a sua elevação.

O verdadeiro problema do Banco Central brasileiro porém, não é esse: ele é mais dramático do que parece à primeira vista, e tem causas mais profundas do que essas que estão sendo discutidas através da imprensa.

A grande questão é que as taxas de juros brasileiros não são, apenas, altas, mas altíssimas, e não se justificam em face da situação de estabilidade que vivemos há alguns anos. Ou melhor: a anomalia a resolver decorre do fato de que continuam, ainda, em vigor, mecanismos complicados que foram criados quando o Brasil vivia uma situação muito delicada de elevada inflação e que não foram eliminados até hoje, o que gera uma distorção: um país que vive próximo da estabilidade tratando a sua economia como fazia há cerca de uma década atrás.

Acabar com esses mecanismos pode dar trabalho, mas não é difícil, mesmo porque, ao fazê-lo, o Banco Central e a equipe econômica do Ministério da Fazenda estarão caminhando na direção da ortodoxia e não da heterodoxia. Os choques heterodoxos foram necessários, a partir de 1986, porque tinha se estabelecido um sistema de dupla unidade monetária. Depois do Plano Real, que reunificou as funções da moeda nacional, ingressamos numa fase de disciplina ortodoxa da economia.

Pode haver choradeira, protestos, gritaria, mas é preciso que o presidente Lula, atualmente no auge do seu prestígio político – o que acontece, em grande parte, por ter sido conservador em matéria de política econômica – continue ortodoxo e trabalhe para dar ao Real o status de que gozam as demais moedas no mundo, dispensando os artifícios que na época da inflação o sustentavam.

A discussão atual sobre a situação financeira brasileira é salutar: é preciso fugir, porém, dos falsos dilemas. O nosso problema não são apenas as taxas de juros e de câmbio: é a necessidade de dar um arremate final na Reforma Monetária de 1994.


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