PEQUENO ENSAIO SOBRE O VALOR (5)

Uma noção que se vulgarizou depois que as peças monetárias deixaram de ser metal e tornaram-se de papel é a de valor de troca, formulada originalmente por ADAM SMITH que a ela se refere várias vezes no seu livro “Riqueza das Nações.

A noção de valor de troca de ADAM SMITH está estreitamente ligada ao conceito de poder aquisitivo, o que se pode constatar pela leitura de sua conhecida formulação:

“Deve observar-se que a palavra valor tem dois significados diferentes: umas vezes exprime a utilidade de um determinado objeto; outras o poder de compra de outros objetos que a posse desse representa. O primeiro pode designar-se por valor de uso; o segundo por valor de troca.

A fórmula de ADAM SMITH fascinou KARL MARX que sobre ela construiu parte importante de sua doutrina, como se lê no começo do seu livro Contribuição à Crítica da Economia Política:

“A riqueza da burguesia aparece, à primeira vista, como uma imensa acumulação de mercadorias e a mercadoria, tomada isoladamente, como a forma elementar desta riqueza. Mas qualquer mercadoria se apresenta sob o duplo aspecto de valor de uso e de valor de troca. “

ADAM SMITH e MARX admitem, portanto, que as peças monetárias ( e os créditos que dela emanam ) tenham um valor, consistente naquilo que ela pode comprar, diretamente ou com o uso do crédito.

Ao formular o conceito de valor de troca ambos, a meu ver, estão confundindo o plano normativo ( do valor ) com o plano da realidade ( das peças monetárias ) incidindo no mesmo equívoco de defensores das doutrinas do valor intrínseco, que acreditavam que o valor emanava das peças monetárias de metal. A noção de valor de troca tanto como o antigo conceito de valor intrínseco das peças monetárias, coisifica, erroneamente, o valor.

(continua)


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