O CRÉDITO IMOBILIÁRIO É INFLACIONÁRIO

Nem todo o crédito é inflacionário: o imobiliário, porém, no Brasil, inegavelmente o é, pelas seguintes razões:

O crédito é uma criação de valor num negócio jurídico que deve ter correspondência com a emissão da moeda pelo Estado, pelo que o controle do crédito – para não gerar inflação – depende da obediência, pelos governos, a dois princípios jurídico-econômicos: (1) o princípio nominalista e (2) o princípio da estabilidade dos preços.

A concessão dos créditos imobiliários no Brasil, porém, está regulada, hoje, por uma norma anômala e inconstitucional – a Lei n. 10.931, de 2 de agosto de 2004 – que restabeleceu, em parte, dispositivos antigo Sistema Financeiro da Habitação, autorizando a correção monetária mensal das prestações dos contratos ( vedada para outros negócios ), previu juros flutuantes e autorizou a inserção nos contratos de diversos índices de reajustamento, instituindo, dessa forma, indiretamente, uma “moeda própria” nos negócios imobiliários

Os créditos imobiliários, portanto, ao ensejar o desrespeito aos princípios do valor nominal e da estabilidade dos preços , vão gerar inflação: ou melhor, já estão gerando inflação, pois eles têm se estendido rapidamente, especialmente para imóveis de luxo. O Banco do Brasil, agora, por sinal, vai entrar nessa área, dirigindo-se aos mercados de classe média.

Essa política desastrosa já causou – e ainda causa – danos enormes às famílias brasileiras, tendo ajudado a gerar uma crise recente, da qual ainda não nos conseguimos livrar inteiramente, que deixou inúmeros “esqueletos do armário”, no montante de bilhões de reais.É triste perceber que,demagogicamente, em nome de um suposto crescimento, o governo federal esteja embarcando nessa mesma canoa.

É preciso rever, imediatamente, o descontrole inflacionário que está ocorrendo no mercado imobiliário.

Quem avisa, amigo é.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.