TENTANDO ENTENDER A CRISE

Refiro-me, evidentemente, à crise americana, que parece decorrer, antes de mais nada, da falta de regulamentação do sistema financeiro levada ao extremo pela ideologia radical da auto-regulação do mercado posta em prática pelo governo Bush.

Considero essa “auto-regulação” do mercado – no sentido de quanto menos disciplina legal do sistema financeiro, melhor – uma ideologia porque ela obscurece o objeto do conhecimento ao tratar a moeda como se ela fosse algo “natural”, como as flores ( ou os cactos ) dos jardins, e não um valor emitido pelo Estado nacional.

O que caracteriza o dinheiro é o fato de ele ser emitido por uma autoridade central em caráter de monopólio. Através da emissão a Autoridade Monetária cria o valor que irá fundamentar os demais valores que regem a sociedade. Vivemos a época do Estado Monetário.

O fato de haver emissão desmente, a priori, qualquer doutrina que queira demonstrar que a moeda não deve regulada: a moeda, por definição, é, desde as suas origens, regulada porque ela é parida, se me permitem a metáfora, pelo Estado, sem a qual ela não existiria.

A disciplina do sistema financeiro americano não é, pois, uma questão de conveniência deste ou daquele governo, de republicanos ou de democratas; nem é um problema apenas legal ou regulamentar: ela é, antes, matéria constitucional, já que a emissão da moeda é produto de um dispositivo da Constituição dos EUA ( como de todos os outros Estados nacionais ).

Nos EUA, especificamente, além da crise de valores em geral à qual já me referi num texto anterior ( cuja maior expressão, atualmente, é a ocupação ilegal do Iraque pelas forças armadas americanas ) muitos órgãos do sistema financeiro estavam fora do controle do Federal Reserve, o que permitiu o alastramento da crise, que começou com as chamadas hipotecas “subprime

A reforma agora promovida por iniciativa do Secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson – que a mídia afirma ser a maior naquele país, desde a depressão de 1929 – está, portanto, na direção certa, sendo um começo de caminho para que o FED possa ir retomando, aos poucos, o controle da situação financeira americana de que o Estado nacional, constitucionalmente, não pode abdicar por força de irracionais “razões” ideológicas.


Deixe um comentário

Seu e-mail nunca será publicado.